6/15/2009

A pedido, o texto sobre a MORTE...





O objectivo era este: Em 100 palavras escrever um texto sobre a MORTE.

Palavras proibidas:

MAS ESTAVA NÃO ENQUANTO MEDO TAMBÉM SENTIR

Manuel olhou as pessoas em volta, quietas e tristes, e fixou os olhos no teto amarelado da pequena sala.

Gostava daquele lugar e do que ele representava.
Mesmo naquele dia especial, agradáva-o ter que estar ali.
Preferia que fosse ali, até.
Era fresco, arejado, era a sua casa.
Toda a sua vida convivera com aquilo.
Solidão, lágrimas, luto, o cheiro doce e enjoativo das flores e das velas.
Porém, naquela tarde chuvosa, a rotina pareceu-lhe diferente.
Pela primeira vez ele vestia preto e deixara a sua pá no armário.
Hoje, cavar ficaria a cargo de outras pessoas.
Ver o lado bom das coisas, era o seu lema.
Mesmo de dentro daquele caixão duro.

6/03/2009

Mais fotografias da Travessia !!









Chat antes do embarque:


Buscando inspiração para as frases...










6/02/2009

Texto proposto pelo Nuno, nas nossas tertúlias mensais de escrita. O mote era: escrever sobre o MEDO, em primeira pessoa.


Com dificuldade cheguei ao fim das escadas. Sentei-me nos degraus a tremer, tentando ignorar a multidão que passava por mim àquela hora da manhã. Não conseguia seguir adiante. O túnel escuro. As pessoas que se acotovelavam, lutando entre si por espaço. Toques inevitáveis de desconhecidos. O barulho estridente da sirene a cada paragem. Mais um comboio aproximou-se e o som ensurdecedor dos carris encheu a plataforma, e uma nova onda de pessoas invadiu o cais.



O pânico paralisou-me, mas não consegui subir as escadas para sair dali, nem pensar em serpentear por aquela infinidade de pequenos obstáculos deslizantes. Não poderia encarar aquele mar de homens e mulheres que me olhavam, inquisidores e reprovadores. Era um monstro a deslocar-se lentamente para lugar nenhum.


Eu não era capaz. Sentia-me parte de uma máquina. Uma máquina de morte. Fiquei ali, de olhos fechados, por muito tempo. Horas se passaram, não sei dizer quantas. Observava as pessoas apressadas a passar por mim, os comboios a chegar e a partir barulhentos, até que o silêncio trouxe-me novamente a paz.


Estava finalmente sozinha. Sozinha estava segura. Sozinha não tinha medo. Em mim, podia confiar. Levantei-me do degrau frio e esperei pacientemente pelo próximo comboio.
Com grande alívio, respirei fundo, dei um salto, e atirei-me em frente a ele.